25 maio, 2008

Odir Cunha


Ninguém explicou o sentimento Santista nos últimos anos tão bem quanto o jornalista Odir Cunha:

"Pela sua história, o Santos é uma pérola jogada na pocilga do futebol brasileiro e sul-americano, esse ambiente malcheiroso que envolve dirigentes e árbitros corruptos e uma grande quantidade de torcedores travestidos de jornalistas, ou loucos para dar ibope às custas dos manjados "times de massa". É nojento acompanhar alguns programas e perceber a forçação de barra em cima dos mesmos times."


Confira o Texto completo:
A precariedade do futebol brasileiro e a incapacidade do SANTOS em superar a ladroeira Odir Cunha


Como no Brasileiro de 1995, todo mundo sabe que o Santos foi roubado, mas o ladrão segue e o Santos fica no meio do caminho. Este é o resultado de quatro fatores somados. Vejamos:

1 - A precariedade do futebol.

Esporte antiquado, dominado por velhas regras que favorecem a manipulação de resultados pelos corruptos aproveitadores do esporte.

Ao contrário do tênis, esporte mais moderno, que usam recursos eletrônicos para dirimir dúvidas, o futebol cultiva e acalenta seus erros, pois são eles que possibilitam a predominância da política de interesses.

Nada, a não ser a falta de ética, impede que os jogos das competições mais importantes tenham alguém de olho nos recursos eletrônicos da tevê, que possa avisar imediatamente o árbitro, através de um ponto eletrônico, se foi impedimento ou não.

A desculpa da falibilidade d os árbitros continua, apesar de estes erros favorecerem sempre aos interesses dos poderosos deste esporte. Mera coincidência? Só os ingênuos podem achar que sim.

2 - Interesses políticos.

A arcaica e politiqueira Conmebol, ao contrário da moderna Liga dos Campeões, não quer que dois times do mesmo País (entenda-se brasileiros) disputem a final. A partir desta filosofia esdrúxula e preconceituosa, que muda as regras do jogo durante a competição, é claro que os árbitros se sentem à vontade para prejudicar os times do Brasil. Devem estar comemorando o fato de quatro times de países diferentes estarem nas semifinais. Deu o que eles queriam.


3 - Incapacidade do Santos de superar também a ladroeira.

Um time excepcional é campeão mesmo roubado. O Santos sabe bem disso, pois boa parte de suas conquistas foram obtidas após superar obstáculos inacreditáveis.

Em 2004, por exemplo, foram nada menos do que 11 gols legais anulados e uma infinidade de perdas de mandos de campo. O técnico Vanderlei Luxemburgo chegou a dizer: "Sabemos que temos de fazer dois para valer um". Mas havia Robinho, Elano, Ricardinho, Deivid e apesar dos árbitros e do STJD, o título veio.

Desta vez, o Santos tinha um time na conta para se classificar apertado. Fez o suficiente para isso, mas o argentino Baldassi tirou os eu gol no México, o que desequilibrou tudo.

4 - Interesses da crônica esportiva.

Nunca em sua história a imprensa brasileira teve tantos interesses comerciais e políticos ligados ao futebol e bajulou tanto os "times de massa".

O Santos foi seguidamente prejudicado na Libertadores e ninguém percebeu, ou fez questão de perceber, que isso era algo orquestrado. Se fosse o Flamengo ou o Corinthians, certamente haveria uma grande e demagógica. Chiadeira, que ao menos pressionaria a Conmebol para não seguir com a prática c riminosa.

Desta vez, Leão está certo

Leão sempre reclama da arbitragem, mas desta vez ele está certo. Ontem o Santos não deixou o América respirar, bem diferente da moleza que o time mexicano teve no Maracanã, quando sapecou 3 a 0 no decantado Flamengo.

Por sua vez, o Santos fez um gol legal no México, invalidado absurdamente pelo árbitro. Gol que se mostrou decisivo.

Então, procurar erros no time é desviar o foco. O que mais se pode esperar de um time que não permitiu ao outro dar um chute a gol e o pressionou o tempo todo?

Claro que a imprensa, principalmente o pelotão de cariocas do Sportv, minimizará os erros dos árbitros contra o Santos. Muitos dos palpiteiros desde canal por assinatura parecem empenhados em uma cruzada para renascer o futebol do Rio, onde militam profissionalmente.

Por muito menos o Botafogo fez um escândalo e afastou a bandeirinha Ana Paula Oliv eira. O chororô dos times do Rio, mesmo sem qualquer razão, merece amplas repercussões. Programas e mais programas analisam os lances em câmera lenta, discutem-se as jogadas. Duvido que alimentem por mais de um programa o roubo contra o Santos, que o tirou de uma semifinal sul-americana, e não de uma competição regional, como o estadual do Rio.

Lições
As derrotas ensinam mais do que as vitórias. Acredito nisso. Nesta Libertadores o Santos aprendeu, mais uma vez, que não poderá contar com a opinião pública para defendê-lo da desonestidade anunciada da Conmebol.

Mesmo roubado em três dos quatro jogos que fez fora do Brasil (dois gols anulados e um impedimento não marcado), esses episódios foram tratados pelos jornalistas como mero "acaso". Assim como foram encarados como "acasos" os 11 gols anulados no Brasileiro de 2004, além das inúmeras perdas de mandos de campo.

Outra providência que o Santos precisa tomar é negociar em separado a transmissão de seus jogos. É duro assistir a transmissão com narrador e comentaristas secando o time.

Pela sua história, o Santos é uma pérola jogada na pocilga do futebol brasileiro e sul-americano, esse ambiente malcheiroso que envolve dirigentes e árbitros corruptos e uma grande quantidade de torcedores travestidos de jornalistas, ou loucos para dar ibope às custas dos manjados "times de massa". É nojento acompanhar alguns programas e perceber a forçação de barra em cima dos mesmos times.

A imprensa esportiva brasileira subverte o mérito. Um time da Segunda Divisão pode ter muito mais espaço do que um time da Primeira. Uma equipe que passa a fase preliminar da Libertadores pela primeira vez, merece festas e programas especiais, enquanto uma que chega pela nova vez às quartas-de-final é praticamente ignorada. Coisas da passional e amadora imprensa esportiva deste País.

Nesta sexta-feira vão dizer que o Leão chorou. Poucos se darão ao trabalho de pesquisar os erros contra o Santos nesta Libertadores.

Ah, se fosse um Meiiingo ou um Curintcha que tivessem sido eliminados depois de tantos "equívocos" de arbitragem. Mesmo um Fougo ou Neiinse provocariam a compaixão avassaladora da crônica, a ponto de mobilizar a CBF em suas defesas.

Tudo bem que o santista não desiste nunca, como no título de 2004, mas é preciso um saco de titânio para suportar tanta ladroeira.

De qualquer forma, segue o Campeonato Brasileiro e certamente, apesar de todas as dificuldades previstas por Leão, o Santos novamente ficará entre os melhores. Mas que a gente já está ficando de saco cheio de ser roubado, ah, isso está.