29 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - Os Miseráveis (Les Misérables)

OSCAR 2013 - Os Miseráveis (Les Misérables) indicado em oito categorias:

- Filme
- Ator (Hugh Jackman)
- Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway)
- Canção Original ("Suddenly" Claude-Michel Schönberg, Herbert Kretzmer)
- Mixagem de Som
- Figurino
- Design de Produção
- Maquiagem e Cabelo



Tudo bem, eu sei que a obra de Vitor Hugo é enorme e dividida em cinco volumes e que adaptá-la para o cinema realmente é algo trabalhoso, mas o filme do diretor Tom Hooper é muito cansativo. 

Para quem gosta de musicais, irá adorar... para quem não gosta, passe longe. Eu estou no meio termo, então vejo pontos positivos e negativos no filme. Vamos então falar do que não gostei muito para depois elogiar o filme que realmente no geral, é bom. 

Começando pela duração. Não sei o que se passa em Hollywood nos últimos tempos, mas os filmes estão cada vez mais longos e cansativos. Algumas películas podem se dar ao luxo de ter horas de duração, mas outras deveriam ter um limite para isso. E um musical não pode ser tão longo. No teatro funciona mas no cinema faz com que o espectador ocasional boceje o tempo todo. 

Acredito que o filme poderia ter sido filmado em uma forma parcialmente cantada. Não precisava ser 100% musical, isso também atrapalha para quem não é fã do gênero. Cenas que poderiam ter diálogos fortes são ritmadas o que perde um pouco a força. Também achei alguns personagens rasos, surgem e somem em um ritmo tão acelerado que alguns passam despercebidos, claro que tenho ciência de que se eu reclamo que o filme durou quase 3 horas não deveria questionar aparições rápidas de alguns personagens, mas talvez fosse melhor não cantar todas as cenas e dar maior força para os atores secundários no tempo livre que ficaria disponível. 

Agora vamos para os elogios. Dizer que a atuação do Jackman, Crowe e Hathaway é boa, seria chover no molhado. Mas não pode falar sobre o filme sem destacar a entrega deles. Parte é clara pelo apelo exagerado do diretor em tentar comover em algumas cenas, mas a maioria é pelo talento individual e isso merece louvor. Outro ponto que gostei foi o fato das canções serem gravadas em cena e não em estudio isolado. Deixa um ar mais próximo da real voz dos atores e acaba aproximando a gente das cenas. Em estudio até eu tenho uma bela voz. Sábia decisão. 

O cenário, figurino e a maquiagem do filme são outros pontos fortes. Tem horas que você fica deslumbrado com a beleza do cenário e das roupas dos personagens. Salvo raras cenas, nada é muito "dark", dá para ver tudo com detalhes o que gostei bastante. 

E pra finalizar, claro que o ponto alto são as músicas. Confesso que assisti ao filme com o aplicativo Shazam ligado no Blackberry para identificar as músicas e acompanhar as letras. Não tem como não gostar de algumas canções que vão desde as clássicas e conhecidas "I Dreamed a Dream" ou "On My Own" até a original e indicada ao Oscar "Suddenly" interpretada por Hugh Jackman. 

Em resumo é isso, para quem gosta de musicais e tem disposição para 2 horas e 40 minutos de canções (algumas belas por sinal) é altamente recomendado conferir a obra.

28 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - A Hora mais escura (Zero Dark Thirty)


OSCAR 2013 - A Hora mais escura (Zero Dark Thirty) indicado em cinco categorias:

- Filme
- Atriz (Jessica Chastain)
- Roteiro Original (Mark Boal)
- Edição
- Edição de som


157 minutos !!!
Acabei de assistir ao filme "A hora mais escura" da diretora Kathryn Bigelow e minha baixa expectativa se confirmou.

Não, o filme não é ruim. Longe disso, tecnicamente é bom. A edição é bem feita, tem uns efeitos sonoros impressionantes, atores coadjuvantes com atuações interessantes e a Jessica Chastain em alguns momentos realmente impressiona. Mas o filme é muito sem sal.

Você passa pelo menos duas horas sofrendo, para somente nos momentos finais ter algo empolgante. Claro que as cenas anteriores são bem feitas, os atentados que são mostrados, a tortura, etc... mas nada de espetacular que prenda a atenção. Confesso que várias vezes desviei o olhar para a tela do computador enquanto escutava a fala dos personagens, algo que não é comum de acontecer comigo pois presto atenção em todos os detalhes.

No fundo acho que me decepcionei por acompanhar uma série que aborda um tema parecido. Quem assistiu as duas primeiras temporadas de "Homeland", não irá se empolgar com o filme. Enquanto na série as atuações são brilhantes, a história é cheia de reviravoltas, o clima tenso está presente em todos os momentos... no filme, nada disso acontece. É morno demais para o meu gosto.

Agora uma coisa eu preciso elogiar: Não é um filme tão patriótico como muitos reclamam. A cena de tortura ou a sequência final da invasão da casa onde está o Bin Laden provam isso. O que acaba deixando ele mais interessante para quem não é americano.

O problema é justamente você passar o filme todo sem um clima de tensão, apenas uma ou outra cena é mais densa, só o final empolga. Como disse, é muito pouco para prender a atenção.

Como já não esperava muito do filme, não me decepcionei. Espero que passe em branco na premiação.

27 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild)

OSCAR 2013 - Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild) indicado em quatro categorias:

- Filme
- Diretor (Benh Zeitlin)
- Atriz (Quvenzhané Wallis)
- Roteiro Adaptado (Lucy Alibar e Benh Zeitlin)


Impressionante a atuação da pequena Quvenzhané Wallis na película. A mais jovem indicada ao Oscar de atriz principal da história consegue de forma extremamente emocionante tocar quem assiste suas aventuras. E pensar que na época da gravação ela tinha apenas seis anos de idade. 

Indomada Sonhadora é um filme independente daqueles em que você acaba torcendo para vencer o Oscar, mas já sabe que a missão é quase impossível. 

É uma viagem por um mundo não muito explorado e talvez por isso seja bom. Gostei do modo como a camera segue a pequena atriz por seu território mágico e de como a rotina dela é mostrada nos mínimos detalhes. 

Choca um pouco ver a condição em que vivem os "nativos da banheira" e a maneira como guiam suas vidas. 

O olhar da pequena Hushpuppy e todo o seu lúdico mundo de fantasia já são suficientes para emocionar todo mundo. Recomendo.

26 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - As aventuras de Pi (Life of Pi)

OSCAR 2013 - As aventuras de Pi (Life of Pi) indicado em onze categorias:

- Filme
- Diretor (Ang Lee)
- Roteiro Adaptado (David Magee)
- Fotografia
- Edição
- Trilha Sonora Original (Mychael Danna)
- Canção Original ("Pi's lullaby" Mychael Danna e Bombay Jayashri)
- Efeitos Visuais
- Edição de Som
- Mixagem de Som
- Design de produção



Excelente filme... imaginei que seria apenas um show em efeitos, mas a história é profunda e proporciona uma reflexão para cada pequena cena que acontece. 

Informo que sei da polêmica do plágio envolvendo o autor do livro "Life of Pi" com a obra "Max e os felinos" do escritor brasileiro Moacyr Scliar, mas isso não me impediu de ter gostado da história. 

O jovem que interpreta o Pi adolescente está muito bem, o começo morno da história acaba passando despercebido com as variadas situações e informações que são mostradas. 

Ang Lee se desdobrou com o cuidado habitual em seus filmes e cada detalhe é polido com o maior zelo. Como resultado se tem um filme que vai além dos efeitos, chegando ao campo filosófico. Muitos podem observar apenas uma visão religiosa, mas a reflexão é bem mais profunda. 

Não é um filme de ação e aventura, engana-se quem pensa assim. Apesar de conter algumas cenas bem movimentadas, é mais um filme para se pensar na vida. 

Afinal, tem horas que é melhor acreditar no que é extraordinário na vida e o filme "As aventuras de Pi" nos proporciona perceber justamente isso.

22 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - Amor (Amour)


OSCAR 2013 - Amor (Amour) indicado em cinco categorias:

- Filme 
- Diretor (Michael Haneke)
- Atriz (Emmanuelle Riva)
- Filme Estrangeiro (Áustria)
- Roteiro Original (Michael Haneke)


Belo e sufocante. Essa é a sensação que se tem ao assistir o filme do diretor Michael Haneke. Não é possível que alguém não se sensibilize com a situação narrada na película, quem nunca teve um parente ou conhecido que aos poucos foi se tornando mais frágil com a maturidade. 


Envelhecer não é fácil para quem tem saúde, imagine para alguém que fica debilitado por alguma doença? Quais os reflexos disto nas amadas pessoas próximas? O filme consegue mostrar um pouco disso de forma minuciosa e extremamente tocante.


Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant dão uma aula de interpretação, ambos com mais de 80 anos de idade. A indicação para o Oscar de melhor atriz foi mais do que merecida.


Gostei muito do modo como o filme é mostrado pela camera do diretor, algumas sequências são feitas em take único, o que só eleva o grau de dificuldade para os atores em tomadas longas em que não se pode editar.

Vencedor de Cannes, é o favorito para faturar para  Austria o Oscar de filme estrangeiro. Confesso que nunca entendi essa lógica da academia. Se o filme é bom o suficiente para estar entre os 9 de melhor filme, é claro que e irá vencer o de filme estrangeiro sobre os que não foram para a categoria principal.


Enfim, se você quer se emocionar, se chocar, se apaixonar... esse é o filme indicado.

21 janeiro, 2013

OSCAR 2013 - O lado bom da vida (Silver Linings Playbook)


OSCAR 2013 - O lado bom da vida (Silver Linings Playbook) indicado em oito categorias:

- Filme 
- Diretor (David O. Russel) 
- Ator (Bradley Cooper) 
- Atriz (Jennifer Lawrence) 
- Ator Coadjuvante (Robert De Niro)
- Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver)
- Roteiro Adaptado
- Edição



Nem sempre o cinema precisa ser complicado, muitas vezes o que se sobressai é fazer o simples, desde que bem feito. "O lado bom da vida" consegue transformar uma história que em alguns momentos pode até ser previsível em um filme bem interessante.

O destaque não dá pra negar que são os personagens. O elenco é recheado de bons atores e cada um tem um papel fundamental na construção do filme. O Bradley Cooper em uma de suas melhores atuações consegue passar a emoção na medida certa, toma conta da situação e transita pela comédia e pelo drama sem tropeçar. Em alguns momentos você fica apreensivo pela insanidade que demonstra o seu personagem enquanto em outros você acaba dando risada de algumas de suas atitudes.

A Jennifer Lawrence também brilha e muito no filme, assim como Cooper, o seu personagem transita sobre os dois campos de perfeita maneira. Como é bom ver como essa atriz a cada filme se destaca mais.

A Jacki Weaver que faz o papel da mãe e o Robert De Niro que faz o pai estão muito bem também, enquanto a primeira se mostra como uma pessoa paciente, amorosa e forte, o segundo se destaca pelo conflito com o filho e com suas manias. Confesso que fiquei preocupado pois tenho algumas daquelas mandingas quando assisto aos jogos do Santos, me lembrei de uma vez que estava assistindo a um jogo com um colega e mudei a posição dos controles remotos e o Santos marcou o gol na sequência, desde então isso virou uma verdade científica para mim… heheheh

O Chris Tucker, Anupan Kher e a Julia Stiles fazem boas aparições também. Mais do que merecido o filme ter sido indicado nas categorias de atuações principais e coadjuvantes.

Falando em indicações, o David O. Russell realmente fez um bom papel na direção, como disse no começo, de forma simples conseguiu fazer um bom filme que pode não ser o melhor filme do ano, mas não deixa de ser bem divertido. Sua indicação foi merecida também.

Enfim, se você quer ver um drama com boas pitadas de humor é uma ótima pedida. Preste atenção na cena em que o Bradley Cooper fica revoltado ao descobrir qual o final do livro "Adeus às Armas" do escritor Ernest Hemingway e lembre-se que não é preciso alguém escrever sobre como a vida pode ficar mais difícil do que já é. Então, um pouco de humor e felicidade não faz mal a ninguém. O bom e velho "Eles viveram felizes para sempre", nunca deixa de ser um bom final.